Fundamentos da psicoterapia psicanalítica

A psicoterapia pode transformar mais do que a maneira como você compreende seus problemas.

Talvez você já reconheça suas preocupações, dificuldades emocionais ou conflitos nos relacionamentos. Mas compreender o que acontece nem sempre é suficiente para conseguir mudar a maneira de reagir e viver essas experiências.

Na Dinâmica, a psicoterapia de orientação psicanalítica trabalha com experiências emocionais, conflitos e padrões de funcionamento que podem participar da manutenção do sofrimento.

O objetivo não é apenas compreender sua história. É ampliar suas possibilidades de sentir, reagir e participar da vida de outra maneira.

Conheça como esse trabalho é conduzido, o que pode favorecer e quais fundamentos clínicos e científicos sustentam nossa abordagem.

Dr. Jansen Santana, psicólogo e psicanalista
Dr. Jansen Santana · Psicólogo e Psicanalista · CRP 05/87621
Em resumo

Da compreensão da experiência às possibilidades de mudança.

A psicoterapia de orientação psicanalítica investiga o que sustenta o sofrimento e trabalha, ao longo das sessões, para ampliar as maneiras de sentir, reagir e participar da vida.

O ponto de partida

Compreender a demanda, a história e as condições em que a dificuldade aparece.

O trabalho clínico

Reconhecer e elaborar experiências emocionais, conflitos e padrões que se repetem.

A direção

Acompanhar o que muda nas relações, nas escolhas e na vida cotidiana.

Da compreensão à mudança

O que pode se tornar possível com o trabalho psicoterapêutico?

A maneira como sentimos e reagimos às situações nem sempre acompanha aquilo que já conseguimos compreender racionalmente.

A psicoterapia busca trabalhar essa distância entre saber o que acontece e conseguir experimentar a própria vida de outra maneira.

Maior liberdade diante de respostas que se repetem

Trabalhar preocupações, conflitos e padrões emocionais que continuam produzindo sofrimento, mesmo quando você reconhece suas consequências.

Mais recursos para lidar com emoções difíceis

Ampliar suas condições de reconhecer sentimentos, tolerar frustrações e atravessar situações que antes provocavam reações difíceis de compreender ou modificar.

Relações e decisões mais saudáveis

Compreender experiências relacionais e formas de se posicionar que participam dos conflitos, favorecendo escolhas e vínculos com maior autonomia.

Mais participação na própria vida

Trabalhar dificuldades que restringem interesses, relações, descanso e atividades importantes, buscando construir outras possibilidades de viver.

A mudança não significa deixar de sentir medo, tristeza ou conflito. Significa poder lidar com essas experiências sem permanecer tão limitado pelas mesmas respostas.

Critério clínico

Como construímos uma direção clínica adequada à sua experiência?

A queixa inicial abre a conversa, mas não determina sozinha o trabalho. Procuramos compreender como a dificuldade aparece, o que a intensifica, sua relação com a história e os recursos disponíveis neste momento.

Entrevistas, observação clínica e história da pessoa ajudam a organizar hipóteses. Quando uma pergunta específica pede investigação adicional, a avaliação psicológica pode reunir outras fontes e instrumentos adequados à finalidade.

Escutar a demandaO que está acontecendo e por que isso importa agora.
Formular hipótesesRelacionar sintomas, vínculos, contexto e funcionamento psicológico.
Construir a direçãoDiscutir o que pode ser trabalhado e rever o caminho com a pessoa.

O rigor clínico está em investigar o caso, distinguir hipóteses de conclusões e escolher recursos compatíveis com a pergunta apresentada. [1, 2]

DO DADO À COMPREENSÃO

Um diagnóstico pode nomear o quadro. A formulação clínica procura entender a pessoa que o vive.

Sintomas, diagnósticos e medidas são informações importantes. A formulação também considera como a pessoa sente, pensa, reage e se relaciona; que condições intensificam o sofrimento; quais recursos a sustentam; e o que pode ser trabalhado naquele momento.

Modelos de diagnóstico psicodinâmico, como o OPD-2, mostram a utilidade de olhar para a experiência da doença, os vínculos, os conflitos, o funcionamento psicológico e os sintomas em conjunto. Essa literatura informa o raciocínio apresentado aqui; a menção ao modelo não significa que um protocolo OPD-2 seja aplicado formalmente em todos os atendimentos. [3]

O objetivo não é acumular interpretações. É produzir uma compreensão que ajude a decidir e a cuidar.

A MATRIZ DO TRABALHO

Uma orientação psicanalítica que considera diferentes formas de sofrimento.

A prática do consultório é orientada pela psicanálise contemporânea transmatricial, em diálogo com a Psicopatologia Fundamental. A perspectiva transmatricial reúne contribuições de diferentes tradições psicanalíticas para reconhecer que o sofrimento pode envolver conflitos, defesas, experiências de desamparo, falhas de sustentação e outras formas de organização da vida psíquica. A Psicopatologia Fundamental valoriza a investigação do sofrimento vivido e a construção cuidadosa do caso clínico. [4, 5]

Essa orientação oferece uma base para escolher o foco, o enquadre e as intervenções conforme as condições de cada pessoa. Ela não significa misturar técnicas livremente nem aplicar a mesma sequência a todos. A teoria ajuda a formular hipóteses; o encontro clínico e a resposta da pessoa ajudam a revê-las.

Escutar o que se repete. Reconhecer o que ainda não encontrou palavras. Trabalhar aquilo que pode mudar.

O trabalho nas sessões

Como a psicoterapia trabalha para favorecer mudanças?

O trabalho clínico não consiste apenas em ouvir o que você conta ou identificar a origem de seus sintomas.

Na psicoterapia de orientação psicanalítica, procuramos compreender como experiências emocionais, conflitos, defesas e formas de se relacionar participam do seu sofrimento.

Durante as sessões, determinadas reações podem se tornar mais reconhecíveis. Experiências que continuam produzindo sofrimento podem ser trabalhadas emocionalmente, e novas maneiras de compreender, sentir e responder às situações podem começar a se desenvolver.

Reconhecer

Perceber padrões emocionais e relacionais que se repetem, mesmo quando trazem consequências indesejadas.

Elaborar

Trabalhar experiências, conflitos e emoções que não se modificam apenas porque passaram a ser compreendidos intelectualmente.

Transformar

Ampliar a capacidade de reagir de outra maneira, construir relações mais saudáveis e realizar escolhas menos condicionadas por respostas habituais.

Integrar

Levar essas possibilidades para a vida cotidiana, observando mudanças na forma de lidar consigo, com outras pessoas e com situações difíceis.

A ação terapêutica não se limita ao que acontece durante a sessão. Seu sentido também está nas possibilidades de mudança que podem se desenvolver na vida cotidiana.

Essas dimensões se articulam ao longo do tratamento; não são etapas fixas nem representam resultados garantidos.

O valor desse trabalho não está apenas em reconhecer aquilo que produz sofrimento, mas em favorecer mudanças que possam ser experimentadas nas relações, nas escolhas e na vida cotidiana.

Pesquisa e psicoterapia

O que as pesquisas demonstram sobre as psicoterapias psicodinâmicas?

A psicoterapia de orientação psicodinâmica possui uma produção científica que investiga seus resultados e os processos de mudança que acontecem durante o tratamento.

Os estudos examinam não apenas a diminuição dos sintomas, mas também aspectos do funcionamento psicológico e da experiência das pessoas atendidas.

Depressão

Uma metanálise publicada em 2023 reuniu dados de 771 participantes em 11 ensaios clínicos e encontrou redução significativa dos sintomas depressivos com psicoterapia psicodinâmica breve, em comparação com as condições de controle investigadas. [7]

Transtornos de ansiedade

Uma metanálise de 2014, com 14 ensaios clínicos e 1.073 participantes, encontrou benefícios da psicoterapia psicodinâmica em relação às condições de controle. Não identificou diferenças estatisticamente significativas em relação às demais terapias ativas comparadas. [8]

Mudança psicológica

A pesquisa psicodinâmica também investiga processos envolvidos no tratamento, como conflitos emocionais, padrões relacionais, funcionamento psicológico e relação terapêutica.

O que isso significa?

Significa que existem intervenções psicodinâmicas estudadas cientificamente e resultados documentados para determinadas condições clínicas.

Essas pesquisas não demonstram que todas as modalidades de psicanálise tenham resultados idênticos, nem substituem a avaliação das necessidades de cada pessoa.

Dr. Jansen Santana em seu consultório em Petrópolis
Dr. Jansen Santana em seu consultório em Petrópolis.
O profissional que vai acompanhar você

Dr. Jansen Santana

Minha trajetória no campo da Educação e do desenvolvimento humano começou em 2009. Na Psicologia Clínica, esse percurso participa da atenção à história da pessoa, às relações e às condições em que suas dificuldades aparecem.

Na avaliação e no tratamento, procuro compreender com você o que precisa de cuidado e construir uma direção de trabalho coerente com a demanda.

Psicólogo e psicanalista · CRP 05/87621
Doutor e Mestre em Ciências Educacionais. Formação em Psicologia e Pedagogia. Especializações em Avaliação Psicológica com Ênfase em Saúde e em Psicanálise.
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O primeiro encontro inicia a compreensão clínica. Se houver indicação e você desejar prosseguir, combinamos os próximos passos.

Atendimento presencial em Petrópolis

Rua Professor Stroele, 470 — Sala 301 · Ed. Green Offices II · Quarteirão Brasileiro. Estacionamento gratuito no local.

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Por videochamada para adultos e jovens a partir de 15 anos, quando a modalidade for adequada ao caso.

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Acesso externo ao Edifício Green Offices II em Petrópolis
Acesso ao Ed. Green Offices II
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PARA APROFUNDAR

Perguntas sobre a abordagem

Todo atendimento precisa começar com testes?

Não. Entrevistas e observação clínica podem ser suficientes para muitas perguntas iniciais. Uma avaliação psicológica estruturada, com instrumentos, tem finalidade própria. Quando testes são úteis, sua escolha deve responder à questão investigada e respeitar critérios técnicos e normas profissionais. [1, 2]

O diagnóstico define automaticamente o tratamento?

Não. O diagnóstico ajuda a reconhecer um conjunto de manifestações e a comunicar informações clínicas. A direção do tratamento também considera a história, a intensidade do sofrimento, o funcionamento psicológico, os recursos da pessoa e seus objetivos. Pessoas com o mesmo diagnóstico podem precisar de trabalhos diferentes.

O que significa investigar a vida psíquica?

Significa observar como experiências, afetos, expectativas e maneiras de se proteger participam do que a pessoa vive. Esse olhar inclui processos que nem sempre são imediatamente conscientes. As hipóteses clínicas são construídas e revistas com cuidado; não são certezas sobre uma causa escondida.

Como perceber se o trabalho está produzindo mudanças?

Além dos sintomas, é possível acompanhar o que acontece nas relações, nas escolhas, no trabalho, no descanso e na capacidade de lidar com situações difíceis. O que conta como melhora é discutido à luz da demanda e dos objetivos da pessoa, e pode mudar ao longo do atendimento.

A psicoterapia pode favorecer autonomia em relação a medicamentos?

A psicoterapia pode ampliar recursos emocionais, estabilidade e participação nas decisões sobre a própria saúde. Em algumas situações, uma melhora sustentada permite que a pessoa e o médico prescritor conversem sobre a necessidade de manter ou ajustar o tratamento medicamentoso. Qualquer redução ou suspensão depende de avaliação e orientação desse profissional; medicamentos não devem ser alterados por conta própria.

Compreender sua experiência pode ser o início de uma nova maneira de viver.

Quando uma preocupação, um conflito ou uma dificuldade emocional continua se repetindo, procurar psicoterapia pode abrir espaço para trabalhar o que acontece e construir outras possibilidades de resposta.

Você não precisa chegar à primeira sessão sabendo explicar tudo, nem ter clareza sobre qual abordagem ou intervenção precisa.

O primeiro encontro permite conversar sobre sua demanda e conhecer a direção do trabalho clínico.

Atendimento particular, presencial em Petrópolis e online. Consulte horários e valores pelo WhatsApp.

RESPONSABILIDADE PELO CONTEÚDO

Conteúdo clínico elaborado e revisado por Dr. Jansen Maxwell de Freitas Santana — Psicólogo e Psicanalista · CRP 05/87621.

Mestre e Doutor em Ciências Educacionais, com especializações em Avaliação Psicológica com Ênfase em Saúde e em Psicanálise.

Última revisão clínica: 15 de outubro de 2026.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação psicológica individual.

Referências essenciais

1. Cunha, J. A. (org.). Psicodiagnóstico-V. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. Especialmente capítulos 1, 2, 5, 11 e 14. Obra fornecida pelo responsável pelo site.

2. Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 31/2022 e orientações do SATEPSI.

3. OPD Task Force. Operationalized Psychodynamic Diagnosis OPD-2: Manual of Diagnosis and Treatment Planning. Hogrefe, 2008. Dados editoriais.

4. Figueiredo, L. C.; Coelho Junior, N. E. Adoecimentos psíquicos e estratégias de cura: matrizes e modelos em psicanálise. Blucher, 2018. Ver também exposição dos autores sobre a perspectiva transmatricial.

5. Magtaz, A. C.; Berlinck, M. T. O caso clínico como fundamento da pesquisa em Psicopatologia Fundamental. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 15(1), 71–81, 2012.

6. Eizirik, C. L.; Aguiar, R. W.; Schestatsky, S. S. (orgs.). Psicoterapia de orientação analítica: fundamentos teóricos e clínicos. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2015. Especialmente capítulos 6 e 22.

7. Wienicke, F. J. et al. Efficacy and moderators of short-term psychodynamic psychotherapy for depression. Clinical Psychology Review, 101, 102269, 2023. Metanálise de dados individuais.

8. Keefe, J. R. et al. A meta-analytic review of psychodynamic therapies for anxiety disorders. Clinical Psychology Review, 34(4), 309–323, 2014.